Publicado por: figuediel | março 31, 2009

2a parte da viagem…

Seguindo viagem, em Pushkar, a estada foi muito agradável. A cidade é pequena e aconchegante. No segundo dia, fizemos um passeio de camelo pelo deserto, parecíamos uma caravana de ciganos, local em que, aliás, nasceu essa cultura, espalhando-se para o mundo. Terminamos o dia com um lindo por do sol, música e dança típica cigana. Sem falar no banquete servido em grandes tapetes estendidos na areia para o grupo. No outro dia, pela manhã, fomos surpreendidos com fotos e reportagem sobre o passeio do nosso grupo no jornal local. 

No dia seguinte, subimos uma montanha ao lado da cidade para conhecer o templo de Savriti, o Deus Sol, passando por dezenas de macacos e devotos. Sentimos o grande fervor do povo em acreditar que a natureza realmente é a manifestação divina. Algo impressionante! Acordamos com pujas (rituais de oferenda) e dormimos ao som de mantras. 

À noite, fomos recepcionados na casa do senhor Ashoki, dono dos camelos do passeio e grande campeão de concursos de camelos adornados que tem nessa região. Curtimos um recital de citara e tabla. Após, foi servido um banquete feito pela esposa de Ashoki e as garotas do grupo, vestidas tipicamente, dançaram ao som de músicas indianas. Uma noite para se lembrar…

Na manhã seguinte, a prática de ásanas foi substituída pela prática devocional feita a beira do lago em um templo de Vishnu. O puja foi conduzido por um brâmane amigo de Pedro. A família do indiano cuida do lugar há 400 anos. Todos sentiram uma energia muito leve, pois nosso amigo era jovem e passava uma tranquilidade sem fanatismo. Uma experiência fascinante!

Encerramos nossa estada na cidade sagrada e seguimos rumo a Khimsar, uma fortaleza de 500 anos que foi transformada em um hotel. Passamos a noite na companhia de mágico, músicos e teatro de fantoches.

Após a prática matinal, seguimos a Jaisalmer, o ponto mais a oeste de nossa jornada. A cidade faz fronteira com o Paquistão, onde hindus e muçulmanos vivem pacificamente. Visitamos Jaisalmer Fort, construído há 856 anos em cima de uma colina para proteger a população de invasões muçulmanas. O forte é habitado até hoje. Vivem cerca de 25 mil pessoas ainda com os costumes tradicionais locais. Passamos por ruelas estreitas nas quais transitam muitas pessoas e vacas. Dentro do forte, há templos jainistas muito ornamentados. Havia também templos hindus dedicados a Krishna.  No final da tarde, passeamos pelo deserto com camelos e ouvimos um grupo de música impressionante, muito conhecidos na região. A cultura cigana nos impressionou pelas cores, ritmos e dança das belas bailarinas.

 

 

Seguimos a Manwar, localizado a 6 Km da rodovia que liga Jodhpur a Jasalmer. É um acampamento no meio do deserto, que possui esplêndidas tendas como quartos. Esse complexo é inspirado no imperador Jehangir, conhecido pelo seu luxuoso estilo de vida, quando pernoitava no deserto a caminho das batalhas.

Jodhpur é a segunda maior cidade do estado do Rajastão, sendo conhecida antigamente pelo nome de Marwar. É um dos destinos mais procurados, por sua beleza, palácios e natureza. Esta cidade é também conhecida como a Cidade do Sol, por permanecer ensolarada o ano todo. Mas o nome de Jodhpur mais conhecido e mencionado em todos os livros da antiguidade é Cidade Azul, cor predominante das casas ao redor do palácio de Mehrangarh. Essa cor era anteriormente destinada às casas dos brâmanes, mas com o passar do tempo foi sendo usada por todos.

Após a prática, visitamos o Meherangarh Fort, situado numa pequena montanha de 125 metros de altura, hoje convertida em um museu. Andando pelos seus inúmeros quartos, temos uma idéia do antigo esplendor e luxo da vida dos marajás. Seguimos então a Jaswant Thada, uma construção de 1899, toda em mármore, em memória do Marajá Jaswant Singh II.  

Voltamos para Delhi e seguimos para Rishikesh. A viagem foi de trem até Haridwar, cidade sagrada à beira do Ganges, local de grande concentração de peregrinos vindos de todas as partes da Índia. Seguimos de ônibus a Rishikesh, também situada às margens do Ganges. Esta pacata e agradável cidade é considerada a capital mundial do Yoga e anualmente recebe milhares de indianos e estrangeiros que procuram os inúmeros Ashrams para fazer cursos de Yoga, retiros de meditação e estudar filosofia hindu.

Rishikesh é rodeada por montanhas e localiza-se nos contrafortes do Himalaya, local onde o rio serpenteia por entre as montanhas, com fortes corredeiras e água cristalina, de cor verde-esmeralda, propícia para a prática de rafting.

Caminhamos pela cidade e conhecemos as duas pontes que ligam as margens do rio. A ponte mais ao norte leva o nome de Lakshma, próximo ao nosso hotel. Mais ao sul, na parte central da cidade, a ponte de Rama, em homenagem aos dois irmãos que passaram pelo local em busca da princesa Sita. No final de tarde, participamos do aarati, ritual de adoração ao rio Ganges no Parmarth Niketan, famoso Ashram na margem norte do rio Ganges.

Após uma prática, seguimos a Haridwar, para visitar e conhecer as obras de um famoso yogi e pintor, conhecido como Harish Johari. Pela tarde, passeamos até o topo de uma montanha para ver o Himalaia.

Em mais um dia alucinante, visitamos, pela manhã, a caverna na beira do rio, local em que vivia o sábio Vashishta, mestre de Rama e Sita, do épico Ramayana, de aproximadamente 4500 anos atrás. Após uma meditação nessa caverna, descemos por 3 horas as rápidas corredeiras do Ganges.   

Tivemos a grande oportunidade de ver o Shivaratri, “a noite de Shiva”. Passamos algumas horas cantando mantras a Shiva no Ashram do Swami Dayananda com a energia de um ritual milenar.

Conhecemos o Swami Shankardas, que havia vivido com seu mestre durante 40 anos em uma caverna, na montanha de Nilakantha. Foi um encontro em que conversamos a respeito de uma vida de yoga, já que Swami saiu aos 8 anos da casa de seus pais em busca de respostas aos questionamentos sobre o divino e o autoconhecimento.

No último dia, fizemos um trekking de 3 horas para Nilakantha Mahadeva, um templo de Shiva nas montanhas, para onde levamos uma oferenda de água do rio Ganges. Ouvimos a história de Nilakantha exatamente no lugar onde a tradição ensina que Shiva bebeu o oceano de veneno. No dia seguinte, voltamos a Delhi e após uma longa viagem, retornamos ao Brasil com a incrível bagagem que não há preço e ninguém pode nos tirar, o conhecimento e a experiência de entrar em contato com a cultura tão antiga, que é o berço do yoga. Uma transformação em nossas almas e cada vez mais acredito que devemos repeitar as diferenças e a individualidade de cada um.

Namastê!


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